sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mais bonecos

Enquanto a Rita não escreve a próxima etapa do nosso último passeio aproveito para vos deixar com mais umas fotos.


Como nos mergulhos que fizémos na parte de fora do recife não vimos tubarões (coisa rara... talvez pelo facto de não haver ninguém a matar peixe ao pé...eh eh eh) no caminho de regresso fomos ver uma estação de limpeza onde costumam estar tubarões (dos pequenos). Como eu já sabia o sítio onde se encontrava a Matilda (grey nurse shark) fomos lá dar uma espreitadela e aqui está mais uma foto (bastante parecida às outras).

Logo no primeiro mergulho vimos esta jamanta. A suspensão que estava na água e o facto de não me ter lembrado de desligar o flash levaram a que as fotos não ficassem grande coisa. Este bicho devia ter perto dos 4m de envergadura, até a rémora que andava à volta dela era enorme!


A diversidade de cores e formas é espectacular e não só nos peixes!



E aqui está mais um nudibrânquio. Manel este ainda não o identifiquei mas quando o fizer fica descansado que te informo!

No fim dos mergulhos ainda deu para vermos umas baleias de bossas que andavam por perto. Apesar de já termos visto baleias desta mesma espécie nos Açores é sempre bom quando a seguir a 2 bons mergulhos se almoça a ver baleias. Infelizmente em Ningaloo não se costumam ver as Southern Right Whale e por isso uma das nossas próximas viagens vai ser em direcção a Sul, a um dos vários sítios onde se pode ver essa espécie que nunca vimos.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Winter Break – parte II

Chegámos a Coral Bay ao final da tarde, ainda a tempo de ver o mero de 70 kg que mora debaixo do porto onde os barcos encostam para descarregar pessoas e peixe. Ninguém toca nesse peixe porque é proíbido pescar nessa zona - Coral Bay fica dentro do parque marinho de Ningaloo. No entanto, estavam dois barcos a descarregar caixas e mais caixas de peixes enormes, tipo pargos e dourados. Um barco era de pesca comercial e o outro de pesca recreativa. A quantidade de peixe que é pescado naquele parque marinho é impressionante! A grande maioria das pessoas vai para lá com o seu barquinho, passa os dias a pescar e depois volta para casa com uma arca gigante cheia de filetes de peixe. São as férias pagas...


Decidimos passar uns dias em Coral Bay, por isso demo-nos ao trabalho de montar o resto do equipamento da Furgie, que ainda não tínhamos visto. Pensávamos que era apenas um toldo pequeno e que ia ser bom para fazer um pouco de sombra, mas afinal quando acabámos de montar tudo ficámos com uma mansão!! A Furgie quase que duplicou em tamanho, passou a ser um T2, e ganhou mais 1 porta e 2 janelas!

Um fantástico T2 que às vezes até tem vista para o mar!


Enquanto montávamos esta enorme sala de estar, os nossos vizinhos do parque de campismo pareciam estar a divertir-se com a nossa cara de parvos a tentar perceber como é que as peças encaixavam. Com algumas dicas deles lá conseguimos montar tudo, embora nos tenham sobrado peças à mesma... E o que é certo é que o nosso T2 sobreviveu ao pequeno dilúvio que caiu nessa noite, enquanto que o toldozinho ultra-moderno dos vizinhos caiu com a chuva. Ah, ganda Furgie! Já não se fazem furgonetas como no princípio dos anos 80...

A praia de Coral Bay: águas cristalinas e areia branca. As manchas escuras são coral e peixes!

Tudo o que há para ver em Coral Bay está no mar. Além da pesca, dá para mergulhar com tubarões baleia, jamantas e tubarões, há recifes de coral por todo o lado, e na altura em que fomos também passam baleias. Já a cidade é bem feia - um centro comercial minúsculo, dois parques de campismo e um hotel, mais alguns pré-fabricados espalhados à volta. A única coisa boa é a praia de água transparente e apinhada de corais e peixes de todas as cores! Passámos os dois primeiros dias a fazer praia, a apanhar sol (não choveu mais desde o dilúvio) e a fazer snorkeling nos corais que se encontram na praia. Fantástico!




No terceiro dia em Coral Bay fomos fazer uns mergulhos fora do recife com uma empresa de mergulho. No primeiro mergulho andou uma jamanta a nadar à nossa volta. Lindo! Vimos milhares de peixes, nudibranquios, corais, esponjas, etc... O segundo mergulho também foi giro, mas não vimos as tartarugas que toda gente viu... Fomos para o lado errado. Para compensar não termos visto tartarugas, cruzámo-nos com um grupo de baleias de bossa e passámos um tempo a fazer whalewatching. Para finalizar a nossa dive trip, ainda fizémos um snorkelingzinho numa zona mais baixinha de corais (uns 4-5 m) onde encontrámos tubarõezinhos... pequeninos... (mães, não se preocupem, tudo controlado!).

(isto é que é um nudibranquio, também conhecido como lesma do mar)


No dia seguinte arrancámos para o Karijini National Park, 700 e tal km mais para o interior. Passámos o dia todo em viagem e só chegámos ao final da tarde, mas ainda conseguimos ver um dingo (que pensámos ser um cão...) quando estávamos a chegar ao parque de campismo. O parque era o mais básico possível – sem electricidade e sem água (logo, sem duche e sem autoclismo...). Ficava tão escuro durante a noite que o céu era espectacular! Conseguia-se ver a via láctea perfeitamente e estrelas por todo o lado. Somos mesmo meninos de cidade, ou dos céus nublados dos Açores... Também não se ouvia barulho nenhum, à excepção dos uivos ocasionais dos dingos.


Acordámos de manhãzinha bem cedo, cheios de frio. Caneco! Estava tão bom junto à costa, mas no interior as noites são geladas. Vestimos casacos e camisolas e fomos fazer uma caminhada para aquecer e ver as vistas.



Há uns anos valentes o Karijini era o fundo do oceano, onde se depositavam camadas de bicharocos ricos em ferro quando estes morriam. Hoje o Karijini é um planalto de ferro, cor de ferrugem, entrecortado por desfiladeiros no fundo dos quais correm rios de águas transparentes e muito muito frias. Naturalmente, à volta do parque há uma mão cheia de minas de ferro que exportam milhares de toneladas de ferro por dia para o resto do mundo!


Começámos por fazer uma caminhada num trilho chamado Dales Gorge, marcado com umas bolinhas amarelas ao longo do caminho. O trilho começa em grande, com as cascatas Fortescue Falls a fazer barulho, e segue pelo leito do rio. Às tantas perdemos as bolinhas amarelas e saímos do trilho. Depois de andarmos pelo meio dos canaviais, lá percebemos que estávamos perdidos e voltámos para trás até encontrarmos o trilho outra vez.


Pegámos na Furgie e arrancámos para o outro lado do parque, onde ainda fizémos mais uma caminhada pelo Joffre Gorge. Desta vez o trilho era mais fácil de seguir, mas o nível da caminhada era bem mais difícil! Chegámos até a uma zona chamada Spider Walk, onde as paredes do desfiladeiro ficam tão próximas que se tem de fazer o caminho com um pé em cada parede. O David ainda fez um bocado desse caminho, mas eu acobardei-me com a ideia de escorregar e cair na água gelada... Brrrrrrrr... Mais uma noite gelada convenceu-nos a seguir de volta para a costa e a começar a fazer o caminho de volta a casa (estávamos a uns 1400 km de Perth). And that’s another story!

domingo, 21 de junho de 2009

Winter Break

Na primeira semana de Junho começou o Winter Break, um intervalo de seis semanas até começarem as aulas do segundo semestre. Já não me lembrava de como é boa a vida de estudante!!

Preparámos a Furgie (que para quem ainda não apanhou, é um diminutivo simpático de Furgoneta) e partimos para Norte no dia 7 de Junho. Duas semanas e 4863 km depois aqui estamos nós de volta à nossa casinha de Perth, onde o Inverno chegou e vai ficar nos próximos 2 meses... Ah, pois é! Já não têm tanta inveja, pois não? 17ºC de máxima, snif...

Na primeira etapa da nossa viagem fizémos “apenas” 300 km até Jurien Bay, onde chegámos a tempo de ver o Pinnacles Desert ao pôr do sol. É uma das grandes atracções deste estado e é anunciado por todo o lado. Claro que como lhe chamam deserto, estávamos à espera de um pequeno Sahara, mas não que fosse tão pequeno e rodeado por arbustos verdes... No entanto, é uma paisagem estranha e cheia de mistica, especialmente com aquela luz de final de tarde e a lua cheia a nascer num céu violeta. Os pinnacles são formações calcárias em forma de pilares com uma côr amarelada, e naquela zona vêm-se milhares deles! Alguns bem grandes, com quase 5 metros de altura.


De Jurien Bay seguimos para norte pela costa. Parámos numa cidade pequena chamada Dongara, onde fomos ver o porto de pesca e acabámos por comprar 2 lagostas vivas (duas das cerca de 150 que o pescador estava a descarregar) por 27 dólares - cerca de 15 euros. Uma das nossas amigas novas marchou logo ao almoço, grelhada num dos barbecues à beira-mar que se encontram por todo o lado. A outra foi connosco nos 200 km até Horrocks, onde levou um banho quentinho e fez-nos companhia ao jantar.


No terceiro dia decidimos apressar o passo, já que a fazer 200-300 km por dia íamos demorar uma eternidade a chegar a Ningaloo, onde os recifes de coral esperavam ansiosamente por nós. A Furgie é que não achou muita graça e decidiu fazer greve. Mas depois de uma visita ao mecânico e de uma vela nova lá a convencemos a seguir viagem para Shark Bay, 400 km a norte.
Shark Bay é uma zona classificada como património mundial. Uma das principais atracções é a população de estromatólitos vivos, os quais podem ver na foto abaixo. Embora pareçam um monte de calhaus debaixo de água, os estromatólitos são absolutamente fantásticos pelo seu papel fundamental na história do nosso planeta. Estes giraços têm “apenas” 3000 anos, e são considerados autênticos fósseis vivos, já que se encontram fósseis de estromatólitos com mais de 3 BILIÕES de anos!! Na verdade, foi à conta dos muitos estromatólitos que cobriam a superfície da Terra nessa altura que a nossa atmosfera passou a ter o oxigénio tão essencial para a vida como a conhecemos. Digamos que sem eles não éramos ninguém...


Outra grande atracção de Shark Bay é uma praia chamada Shell Beach, que em vez de areia é composta inteiramente por conchas (daí o nome). A praia é linda mas foi a minha grande desilusão da viagem. Estava à espera que uma praia inteira feita de conchas fosse o paraíso para os apanhadores-de-conchas como eu. Ia passar horas de rabo para o ar a escolher as conchas com as formas e as cores mais giras, mas quando chegámos lá ficámos a perceber que as conchas eram todas iguais!! Conchas pequeninas, branquinhas e sem piada nenhuma...


Deixámos a praia das conchas, e seguimos para Denham, que nos recebeu com um pôr do sol fantástico. No caminho passámos por Eagle Bluff, uma arriba de onde é possível ver dugongos (uns mamíferos marinhos que comem ervas, também chamados vacas do mar), mas nunca chegámos a ver nenhum. No dia seguinte, com a Furgie a portar-se à altura, fizémos 550 km e chegámos finalmente a Coral Bay e ao recife de coral de Ningaloo . E com esta etapa concluímos a primeira parte do relato da nossa viagem. Amanhã há mais!

End of Semester One

Foi um Maio complicado... A dada altura tinha 6 trabalhos para entregar até ao final do mês e um estágio a decorrer ao mesmo tempo. Gostei imenso das aulas neste primeiro semestre que passou e acho que aprendi imenso, mas não foi pêra doce fazer os muitos trabalhos de cada cadeira!
A maior dificuldade foi escrever em inglês. Acho que até tenho um bom nível de inglês, mas escrever de um modo cativante para o público em geral é um bocadinho mais difícil do que escrever artigos científicos chatos que na verdade ninguém tem pachorra de ler. Há ainda a questão de não ser apenas “inglês”... é “inglês australiano”! Há muitas expressões locais que vamos apanhando, como o tipico aussie “No Worries” ou o “It’s not my cup of tea” (que na verdade não tem nada a ver com chá, quer dizer “Não é a minha onda” e deixou-me à nora durante uma conversa).
De qualquer forma, esforcei-me bastante, tive boas notas e acho que mereci as férias que tirámos a seguir! Tive foi pouco tempo para escrever no blog, por isso vou aproveitar ainda estar de férias para fazer um update da nossa vida na terra dos cangurus...

sábado, 6 de junho de 2009

Um congresso e as primeiras visitas

Durante a semana que passou foi o 8th Indo-Pacific Fish Conference aqui em Freo e por isso a visita de uns amigos. O Veiga e a Claúdia vieram de Portugal e o Rui veio da Florida. Com o congresso não deu tempo para muita coisa mas ainda demos uns passeios e vimos umas coisas. A minha apresentação foi logo na 2ª e por isso fiquei logo "despachado" mas infelizmente as deles foram só no último dia e por isso andaram mais "stressados" durante a semana e com menos tempo para desfrutar de Perth e arredores. Mas correu tudo bem e ontem ainda nos despedimos com um passeio até Safety Bay onde comemos um belo peixinho feito num dos vários barbecues que há por aí espalhados.

Hoje estamos de partida para mais umas férias que se esperam espectaculares. Vamos até Ningaloo (Coral Bay) com passagens por vários sítios entre eles Monkey Mia para ver os estromatólitos (um dos único sítios do mundo onde existem), o deserto dos Pinnacles, Geraldton e o arquipélago de Abrolhos entre outros. O nosso plano também inclui uma ida ao Karijini National Park que fica para o interior na zona de Ningaloo. Um parque com florestas, cascatas e lagos espectaculares. Se tudo correr como planeado estamos de volta lá para dia 20 e esperemos que com umas boas fotos para ilustrar o passeio de mais de 2000 km (só ida!).

Pucti e Inês MUITOS PARABÉNS!!