Após uma viagem de mais de mais de 20 horas lá cheguei a Coral Bay, cerca de 1200 km a Norte de Perth. Os primeiros dois dias fiquei num hostel e passei o tempo a fazer um reconhecimento da zona, principalmente do mar. Coral Bay é uma vila mínima que vive do turismo, mais concretamente de passeios para ver tubarões-baleia e jamantas.
Fica isolada de tudo, sendo que a cidade mais próxima (se é que se pode chamar isso a uma vila com 3000 pessoas) fica a mais de 160 km e a seguinte a mais de 350! Das várias redes de telemóvel que existem na Austrália apenas uma tem cobertura. As condições são fracas quase fazendo lembrar um país de 3º mundo, só para terem uma ideia a água que sai das torneiras é salobra. Os preços são caríssimos e falta muito coisa. A gasolina é 50% mais cara que em Perth, e tudo o que é géneros alimentares não anda muito longe disso. Segundo o Lonely Planet vivem lá durante todo o ano apenas cerca de 120 pessoas e como não há casas vivem todos em caravanas!
Passados os primeiros dias mudei-me para a estação de investigação onde me encontrei com o Andrew, responsável pelo trabalho de campo do AATAMS (um dos maiores projectos mundiais de telemetria) e com o Frazer que está a fazer o doutoramento com jamantas e vive em Coral Bay há 8 anos.
Vimos várias jamantas e estivemos por várias vezes durante bastante tempo com elas. Como estavam em zonas bastante baixas, normalmente abaixo dos 6m, fizémos umas apneias espectaculares!
Os primeiros dias foram passados a preparar os receptores que íamos colocar na água. Claro que houve sempre tempo para fazer umas apneias e ver imensos peixes, corais e muito mais. Também demos uma mão no trabalho de campo do Frazer, basicamente mergulhar com jamantas para tirar fotos para identificação dos indivíduos e marcar com marcas acústicas.
Quando finalmente chegou a altura de colocar o restante equipamento na água chegou mais uma pessoa para nos ajudar. O Rob Harcourt, especialista em mamíferos marinhos, Professor na Universidade de Macquarie e grande entusiasta da fotografia subaquática. Nessa altura as coisas ficaram ainda melhores. Passamos os dias no mar, fora do recife, e no caminho víamos sempre tartarugas, golfinhos, uma ou outra vez vimos dugongos e num dos dias vi uma serpente marinha. Infelizmente nunca vimos tubarões-baleia. Como corricámos várias vezes ainda deu para apanhar um atum do qual fizemos um belo sashimi!
Um belo exemplar de albacora ou "yellowfin" como chamam por aqui
Apesar da pressão do turismo ainda se encontram facilmente zonas em que o coral está em óptimas condições.
Um Queensland ou giant grouper, a maior espécie de mero! Atingem quase 2,5m de comprimento. Este devia andar perto dos 2 m!
Todos os dias antes de regressarmos a terra fazíamos umas apneias ou mergulhos fora do recife. O Andrew, várias vezes campeão australiano de caça submarina e com participações em alguns campeonatos do mundo, aproveitava para caçar. Claro que caçar num sítio infestado de tubarões não é das melhores coisas e por isso todos os dias, literalmente todos, saímos da água corridos pelos tubarões. No primeiro dia, depois do Andrew ter disparado a um “Spanish mackerel” maior do que eu, os tubarões que já andavam por ali começaram a aproximar-se. Passado pouco tempo estávamos rodeados por mais de 10 tubarões alguns deles com um tamanho considerável. Começaram a mostrar-se agitados, a nadar rapidamente à nossa volta e por vezes a abrir a boca como que a mostrar que estávamos no território deles. Eu decidi sair da água e pouco depois fui seguido pelo Rob e pelo Andrew. Segundo eles, aqui os tubarões mostravam-se muito mais agressivos do que em qualquer outro sítio. Mesmo o Andrew que está habituado a mergulhar e caçar com tubarões à volta diz que nunca tinha estado num sítio onde eles fossem tão agressivos.
Da segunda vez a história foi semelhante mas com mais agressividade. Eu, felizmente estava um pouco afastado e por isso não vi tudo o que se passou. Mais uma vez depois do Andrew ter apanhado um peixe, que os tubarões rapidamente desfizeram, os tubarões aproximaram-se do Rob e do Andrew. Deram encontrões e por várias vezes tentaram morder! Resultado saímos todos da água ainda mais rapidamente do que a vez anterior. Na altura não achávamos muita piada mas passado pouco tempo já nos riamos e contávamos piadas sobre o assunto.
Depois de acabarmos o trabalho tivémos direito a 2 dias de barco para fazermos o que queríamos, basicamente mergulhar, caçar e procurar dugongos para mergulhar com eles. Em ambos os dias a história repetiu-se e cada dia com mais emoção. Embora o nosso destino fosse sempre diferente os acontecimentos eram sempre semelhantes. O último dia culminou com as barbatanas do Andrew a serem mordidas!
Todos os dias antes de regressarmos a terra fazíamos umas apneias ou mergulhos fora do recife. O Andrew, várias vezes campeão australiano de caça submarina e com participações em alguns campeonatos do mundo, aproveitava para caçar. Claro que caçar num sítio infestado de tubarões não é das melhores coisas e por isso todos os dias, literalmente todos, saímos da água corridos pelos tubarões. No primeiro dia, depois do Andrew ter disparado a um “Spanish mackerel” maior do que eu, os tubarões que já andavam por ali começaram a aproximar-se. Passado pouco tempo estávamos rodeados por mais de 10 tubarões alguns deles com um tamanho considerável. Começaram a mostrar-se agitados, a nadar rapidamente à nossa volta e por vezes a abrir a boca como que a mostrar que estávamos no território deles. Eu decidi sair da água e pouco depois fui seguido pelo Rob e pelo Andrew. Segundo eles, aqui os tubarões mostravam-se muito mais agressivos do que em qualquer outro sítio. Mesmo o Andrew que está habituado a mergulhar e caçar com tubarões à volta diz que nunca tinha estado num sítio onde eles fossem tão agressivos.
Da segunda vez a história foi semelhante mas com mais agressividade. Eu, felizmente estava um pouco afastado e por isso não vi tudo o que se passou. Mais uma vez depois do Andrew ter apanhado um peixe, que os tubarões rapidamente desfizeram, os tubarões aproximaram-se do Rob e do Andrew. Deram encontrões e por várias vezes tentaram morder! Resultado saímos todos da água ainda mais rapidamente do que a vez anterior. Na altura não achávamos muita piada mas passado pouco tempo já nos riamos e contávamos piadas sobre o assunto.
Depois de acabarmos o trabalho tivémos direito a 2 dias de barco para fazermos o que queríamos, basicamente mergulhar, caçar e procurar dugongos para mergulhar com eles. Em ambos os dias a história repetiu-se e cada dia com mais emoção. Embora o nosso destino fosse sempre diferente os acontecimentos eram sempre semelhantes. O último dia culminou com as barbatanas do Andrew a serem mordidas!
Um dos nossos amigos!
E mais outro...como podem imaginar quando a coisa começava a apertar o meu pensamento não ia para as fotos!
Dentro de água e para um não especialista como eu, ainda para mais dada a falta de experiência em mergulhos com estes animais, não era fácil distinguir as espécies de tubarão presentes pois são todos bastante semelhantes. Todos eles eram da família Carcharhinidae conhecidos por “whalers” e quase todos considerados perigosos. Entre os que consegui identificar, juntamente com o Andrew e o Rob, estavam os “grey reef”, pontas pretas (não a espécie de recife mas a outra), “silky” e mais um ou outro que agora não me lembro. Um deles pareceu ser um tubarão touro mas pelas fotografias não conseguimos confirmar com toda a certeza.
Ainda vimos outras espécies (“grey nurse shark” e “tawny nurse shark”) consideradas menos perigosas embora com um tamanho considerável e um aspecto igualmente ameaçador.
Uma grey nurse shark. Este foi medido com lasers e tinha 2.10 m. É o registos mais a norte para esta espécie.
Este é um "tawny nurse shark", aparentemente inofensivo apesar de atingir mais de 3m de comprimento.













