Passado o primeiro mês já dá para termos uma ideia de como as coisas funcionam por aqui. De um modo geral as pessoas são bastante simpáticas e educadas. Para terem um exemplo muitas pessoas agradecem ao motorista quando este pára na paragem para elas saírem.
Uma grande parte das pessoas mais novas, provavelmente estudantes, são de origem asiática, desde japoneses a indianos, passando por filipinos, chineses, vietnamitas e inclusivamente malta do Butão (a Rita tem uma cadeira onde há 2)! Também se vêem muitos backpackers europeus, a grande maioria alemães ou holandeses.
Uma das razões para o facto de Perth, e penso que todas as grandes cidades australianas, ser uma cidade bastante “espraiada” tem a ver com o que os australianos chamam de “sonho pessoal de qualquer australiano” que passa por ter uma casinha com um bocado de jardim. Isto leva a que as cidades vão crescendo em volta de um centro, de forma radial. Aqui em Perth as zonas mais cobiçadas são justamente as zonas de Cottesloe, Mosman Park e Peppermint Grove. Ficam perto da cidade, perto da praia e têm bons transportes. Há casas magnificas e com preços a condizer, claro está. De um modo geral as casas aqui são mais caras do que em Portugal, isto apesar da construcção ficar bastante abaixo.
O custo de vida aqui não é muito diferente do de Portugal embora haja algumas diferenças.
A gasolina por exemplo é metade do preço, mas por outro lado a maioria dos carros gastam bastante mais. Os carros são também bastante mais baratos incluindo os modelos europeus. O VW Eos, fabricado em Portugal, é mais barato aqui! A renda das casas é também mais cara, isto muito provavelmente devido à enorme procura. De acordo com os census de 2006 chegam por dia a este estado, Western Australia – WA, cerca de 1000 pessoas. Deduzo que grande parte venha parar a Perth pois é a única cidade digna desse nome e onde, se não me engano, vive cerca de 65% de toda a população da WA. No que diz respeito à alimentação as coisas variam bastante quando comparamos com os preços aí. Por exemplo a carne é mais barata mas o peixe é bastante mais caro. A fruta de um modo geral é também mais cara, embora aqui e ali se encontrem alguns “bons negócios”. O facto de Perth ser a “capital” mais isolada do mundo deve ajudar bastante para que os preços fiquem mais caros. Para terem uma ideia, a cidade mais próxima digna desse nome fica a quase 3000 km de distância! O segredo para a prosperidade desta cidade são as companhias de extração de minério (ferro e ouro entre outros) e companhias petrolíferas.
Foster’s, a famosa cerveja australiana nem vê-la! Já experimentei umas quantas marcas diferentes (Emu, VB, Carlton, Toohey’s e mais uma ou outra) mas, ainda nunca vi a vi embora algumas das cervejas sejam da marca Foster’s. As bebida alcólicas apenas se vendem nas “liquor stores” mas até nisso estamos bem localizados porque também temos uma “liquor store” mesmo ao pé de casa.
Os transportes públicos, que incluem comboio, autocarros e ferries, funcionam bem e a horas e talvez por isso, relativamente caros. No entanto, na zona central de Perth (CBD - Central Business District) são gratuitos. Existe uma espécie de passe, o SmartRider, mas a única coisa que faz é dar um pequeno desconto nos bilhetes. Infelizmente não funciona como em Lisboa onde comprando o passe do mês é possível andar as vezes que quisermos e por isso no fim do mês os gastos com transportes ainda são consideráveis. Felizmente a Rita, como estudante, tem direito a um grande desconto e eu não preciso, por enquanto, de sair aqui da zona. A grande maioria das paragens tem um horário e normalmente os autocarros nunca erram muito (5 minutos máximo). Isto é fácil de organizar porque eles têm, ao longo do percurso, paragens com tempos exactos. Isto é, o autocarro só sai daquela paragem naquele exacto minuto e assim vai mantendo o horário de todo o percurso mais ou menos dentro do previsto.
Outra coisa que já reparámos foi na cultura do desporto. Vêem-se campos relvados por todo o lado, onde as pessoas jogam Australian Rules (futebol australiano), futebol, cricket, etc. Também se vêem muitos campos de ténis e alguns de golfe, aliás temos uns mesmo ao lado de casa. Para além disso, na marginal aqui em frente há sempre pessoas a correr e na praia há pessoas a andar de canoa, a fazer windsurf, kitesurf e surf. Sendo Perth a capital da WA tem um estádio (Subiaco Oval) onde jogam as principais equipas de Australian Rules e Rugby. Para quem está mais dentro do assunto posso dizer que até Junho vai haver 4 ou 5 jogos de super 14, e a equipa local, os Western Force, é onde joga o Matt Gittau. Depois em Agosto há um Austrália – África do Sul. Os bilhetes são relativamente baratos (cerca de 15 euros) e não são muito dificeis de arranjar por isso em breve vamos certamente assistir a um belo jogo de rugby! Já de Australian Rules acho que não nos apanham lá. Já vi 1 ou 2 jogos na TV mas quanto mais vejo menos percebo e há imensas coisas muito estranhas. Para começar o campo é oval e tem quatro postes de cada lado! Ainda não percebi porque razão umas vezes chutam para a frente, outras fazem um passe tipo rugby (mas para a frente) e noutras dão um murro na bola. Os foras são marcados por um árbitro que atira a bola de costas fazendo lembrar um jogo de crianças. E há tantas outras coisas estranhas que nem me vou esforçar mais para tentar perceber. Há também o cricket mas esse então nem quero tentar perceber! Só para perceber a pontuação foi uma trabalheira e mesmo assim não fiquei completamente elucidado.
Uma coisa que me intriga é o sistema de medidas. Apesar de ser um país da Commonwealth e como tal com grande influência inglesa, o sistema de medidas utilizado na Austrália é o métrico e não o imperial. Assim, em vez dos pounds, pints, feet, gallons entre outras temos os nossos bem conhecidos gramas, metros e litros. Perguntei ao John, o neo-zelandês, e ele disse-me que mudaram para o sistema métrico não há muito tempo mas não sabia bem porquê.
PS- Acabámos de vir de um jogo de rugby, fomos ver os Western Force contra os Sharks. Foi um bom jogo, apesar da equipa da casa ter perdido por 10-22. Sentámo-nos mesmo à frente de uma família de portugueses! Primeiro emigrantes na África do Sul e agora estão na WA há 3 meses.
sábado, 21 de março de 2009
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