Depois de uns mergulhos fantásticos na Grande Barreira de Coral chegámos a Cairns absolutamente estourados. No dia seguinte, de manhãzinha, fomos alugar um carro e partimos para Cape Tribulation, a norte de Cairns. Antes disso apanhámos o Filas no aeroporto e lá fomos os três numa roadtrip. O Filas é um amigo nosso que está a fazer o pos-doc em Townsville, na James Cook University (cerca de 100 km a sul de Cairns, com a Grande Barreira de Coral à porta...).

O Filas e David, e a nossa grande máquina!Além da Grande Barreira, há milhares de coisas espectaculares para ver à volta de Cairns – praias, floresta tropical, ilhas, outback, sistemas de cascatas... Decidimos arrancar para Cape Trib porque queríamos ver a Daintree Forest, considerada a floresta tropical mais antiga do mundo – tem mais 135 milhões de anos!! Além disso, é uma zona menos turística e tem praias com coqueiros.

Mal chegámos a Cape Trib fomos fazer um BBQ (a fome era muita), procurar um sítio para ficar e planear o dia seguinte. Decidimos ficar num parque de campismo mesmo em cima da praia! À noite, fomos pela praia até ao pub mais próximo para jantar... o que não me deixou totalmente tranquila, já que é suposto haver crocs naquela zona... No dia seguinte, levantámo-nos cedíssimo – 6 e pouco – para ver o nascer do sol na praia (aqui em Perth o sol põe-se no mar, como em Portugal). É lindo, como o pôr-do-sol... mas é demasiado cedo!!


Aproveitámos para comer um pequeno almoço reforçado na praia (bom, eles aproveitaram – pequeno almoço para mim tem de ser... pequeno) e arrumámos a carrinha rápido porque tínhamos um grande dia pela frente!! Decidimos fazer um trekking até Mount Sorrow - 3,5 km a subir pela floresta tropical até chegar ao cume do monte, onde é prometida uma fabulosa vista. Logo ao início vimos um lagarto gigante, mesmo grande, do tamanho de um cão. Não temos fotos porque ele estava a fugir de nós... O trekking era quase sempre a subir pelo meio da floresta. Tem tantas árvores que não se vê o céu, e algumas das árvores são mesmo estranhas – parecem (e devem ser) pré-históricas!



A menos de 1 km do cume começou a parte mais difícil – mesmo a pique e muito húmida e escorregadia. Com um pequeno pormenor “interessante” – sanguessugas!!! Fui a primeira a encontrar uma na perna e, claro, deixei os rapazes desapontados porque tratei logo de a esborrachar e não esperei para que tirassem uma foto. Onde é que eu tinha a cabeça... :p
Quando finalmente chegámos ao cume encontrámos um casal de alemães desolados porque não se via absolutamente nada – estava tudo branco, como se estivéssemos dentro de uma nuvem. Mas passados 2 minutos o céu abriu e conseguia-se ver a floresta e o mar.

Começámos então a descer, o que foi um bocado mais difícil porque além de já estarmos cansados, era bastante escorregadio. O que vale é que havia árvores por todo o lado e podíamo-nos agarrar a elas quando de repente deixávamos de sentir o chão debaixo dos pés! Mas assim que passámos essa parte mais difícil e entrámos na parte menos inclinada do caminho, a pouco mais de 1 km para chegarmos ao carro, o meu pé ficou preso nas raízes de uma árvore e... hummm... dor! Entorse! Azar! (ou falta de jeito...). Ainda fui a andar muito devagarinho o resto do caminho (levámos muito mais tempo, claro). Entretanto o David e o Filas aproveitaram para brincar ao Tarzan o Rei da Selva agarrados às lianas!... mas não antes de se oferecerem para me carregarem às costas ;)
Mesmo a passo de tartaruga, lá acabámos o trekking a tempo de ainda dar umas voltas. Pegámos na carrinha e seguimos para norte. Tivémos uma sorte gigante porque passado nem 10 km encontrámos uma cassowary com uma cria à beira da estrada!! A cassowary é um pássaro estranhíssimo: é enorme, não voa, e tem umas garras grandes e super afiadas que facilmente cortam o pescoço de uma pessoa (já várias pessoas conheceram esse destino depois de andarem a chatear cassowaries). Embora se consigam defender bem de quem as chateia, as cassowaries encontram-se em perigo e muitas morrem atropeladas. Já só há apenas alguns (poucos) milhares em toda aquela zona, por isso já não é assim tão comum ver uma cassowary selvagem.

A cassowary (disseram-me que era um macho, eles é que tomam conta dos bebés)

E a cassowary bebé (um bocado patinho feio, não é?)
Depois de muitas fotos, a cassowary lá se cansou dos papparazzi e escondeu-se na floresta. Nós seguimos viagem, até chegarmos a um ponto em que a estrada era atravessada por um ribeiro. A partir daí era “4WD only”, mas depois de sondarmos o ribeiro decidimos atravessar à mesma e o carrito até se portou à altura! A partir daí a estrada não era alcatroada e tinha algumas subidas bem agrestes – na estação das chuvas deve ficar totalmente inacessível... Parámos em várias praias totalmente desertas (numa delas vimos um dingo) e com imensos coqueiros e árvores de mangal. A floresta tropical acaba mesmo em cima da praia!




Corre, corre, sabe-se lá o que está escondido na água!
O nosso espírito de aventura entretanto foi totalmente por água abaixo quando chegámos a um ribeiro que já não dava hipóteses de ultrapassar. Hora de voltar para trás!

Uma pequena nota sobre as praias de Queensland... Antes de irmos estava num excitex para ir para as praias de areia branca e coqueiros que via no Lonely Planet. Mas quando chegámos, tenho de admitir que não são bem o que estava à espera. As praias em si têm um cenário espectacular, mas a areia não é propriamente branca nem é propriamente areia – é muito fina, quase como lodo, e deixa a água muito turbida. Além disso, temos água pelos joelhos em toda a praia, e durante a maré vazia nem isso! São praias lindas, mas acho que estou habituada a praias onde se consegue nadar. Por outro lado, como é suposto haver crocodilos ali, não sei se ia ter muita vontade de ir dar um mergulho, mesmo que desse para isso...



Nessa noite ficámos mais perto do nosso pub de eleição, onde fomos jantar e beber uns copos e jogar às cartas com uns “mates” que por lá andavam. Nessa altura, com o pé todo inchado, já aceitava as ofertas do David para me carregar às cavalitas... (muitos sacos de gelo, anti-inflamatórios, muletas, ligaduras e fisioterapia, o meu pé está neste momente QUASE curado!). No dia seguinte decidimos ir numa excursão pelo rio para ver os tão falados crocodilos. Foi giro ver o rio, com os mangais a rodearem as margens, mas crocodilos nem vê-los! Fica para outra vez...

Uma vez que eu já não ia conseguir fazer mais trekkings, seguimos para o Kuranda, um parque natural que já tem mais turistas e umas cascatas enormes – as Baron Falls – que na estação seca, como deu para ver, estão bastante secas...
Ficámos pouco tempo no Kuranda, mas ainda deu para os rapazes irem fazer uns trekkings enquanto eu ficava a ler um livro ou a ver o santuário das borboletas – onde algumas são maiores do que pássaros!! A viagem estava quase a a acabar – nessa tarde fomos levar o Filas à estação dos autocarros e apanhámos o avião de volta ao Inverno de Perth. Voltámos com energias redobradas e num relax total, prontos para mais uns mesinhos de trabalho até à próxima aventura.






Tou em pânico com as histórias dos crocodilos!
ResponderEliminarTou a ler o Down Under do Bill Bryson e ele conta lá umas histórias horriveis, de como eles se escondem, rastejam e matam sem sequer serem notados!
Não tiveram mesmo medo?!
Que férias fantásticas que sorte!!!
Boas Chapas!
Beijinhos
No worries!
ResponderEliminarJá me disseram que os crocodilos só comem turistas alemães... e pelos vistos escondem-se dos portugueses!
O Bill exagera um bocadinho no Down Under - parece que aqui todos os animais estão só à espera que te distraias 2 segundos para te saltarem em cima, e dá a sensação que quando esteve cá passou o tempo todo a pensar nisso.
Bjs!